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domingo, 7 de outubro de 2012

Carta aos vencidos



Caros colegas que compartilham a insatisfação com o modelo de gestão atual,

Gostaria de solidarizar-me com a tristeza tomada por tantos com a decisão com esmagadora maioria do processo eleitoral do Rio. Mas, antes de tudo, gostaria de fazer uma reflexão. Tenho lido muitas críticas ao eleitorado que elegeu a atual gestão, e acredito que esse seja um importante ponto para entendimento. A natureza dos votos parece meio óbvia: a enorme quantidade de investimentos ocorridos no Rio durante o último mandato. O lema ‘Somos um Rio’ não deixa engano – governos federal, estadual e municipal estão juntos nisso. A elástica coligação vencedora expõe o modelo que já conhecemos. Não podemos desassociar a candidatura reeleita como isolada. Ela só existe porque existe amplo apoio do governo federal, além do governo estadual. A macropolítica desenvolvida no país se reflete aqui. E estamos falando de um governo federal extremamente popular. Então, nada mais coerente que o eleitor que apoia as políticas da União apoie tudo que vem sendo feito nessa cidade – mais uma vez, feito em larga escala com verba federal que, sabemos muito bem, tradicionalmente escasseia quando os governantes municipais e estaduais são da oposição.
A questão, por conseguinte, que nos cabe refletir, trata-se da coerência dos insatisfeitos. Até onde vai nossa insatisfação? Até onde somos oposição? De resto, esse é o jogo democrático. Não é possível que o eleitor comum seja tão limitado apenas quando discorda de nós.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sobre Espadas e Picaretas

Os livros de História adoram contrapor o governo militar espartano à democracia ateniense. Aqui, na nossa república democrática, deixamos trezentas espadas para termos trezentos picaretas, como, aliás, Luis Inácio avisara. Curioso, não?

quarta-feira, 31 de março de 2010

Futuros interrompidos

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Não solicitei (indenização) porque minha atividade naquele período foi consciente. O risco estava bastante nítido para mim. Além disso, embora tenha deixado meu trabalho de jornalista, o exílio me enriqueceu muito, de forma que, ao retornar, tinha possibilidades mais diversas.
Não posso fazer uma lista complexa de critérios, mas penso que pessoas inocentes, colhidas por acaso nas malhas da repressão, sem inclusive saber do que estava acontecendo realmente no Brasil, mereciam compensação.
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Fernando Gabeira
Gabeira encontrado no Pilórdia. Imagem, Ads of the World.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O sonho de Marina

Marina Silva - Fraga2 
A senadora Marina Silva tem um sonho. Quer transformar a questão ambiental num tema central da discussão política, mas sem virar uma candidata de uma nota só. Mais que transversalidade, a intenção é dar centralidade no programa de governo à questão socioambiental, saindo do que considera uma discussão do passado para preparar o país do futuro… a política que está sendo feita no país obedece muito a certos ditames que visam à manutenção do poder político, não a avanços institucionais, a melhorias na qualidade do bem-estar do cidadão.
Merval Pereira
O texto completo do Merval encontra-se aqui. Ilustração, Fraga.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Vulto verde

Rompida com o PT, acolhida pelo PV e rodeada por interesses diversos, Marina Silva percorre o país defendendo uma "nação de baixo carbono". Imagem e texto na Piauí.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Quem cala, quem fala


Não faz muito tempo e éramos nós, os brasileiros, que estávamos com a integridade física ameaçada por um regime ditatorial. Muitos dos que estão no governo não podem ter se esquecido de como era importante para quem sofria, e para seus familiares, saber que havia solidariedade internacional.
Não faz muito tempo que aos brasileiros presos por motivos políticos havia apenas o recurso de medidas extremas, na falta do direito de defesa. Quem fez uma greve de fome, ou viveu a aflição de ter uma pessoa querida neste ato desesperado, deve se lembrar: o que os levava a isso era a impossibilidade de chamar a atenção para a sua situação por qualquer outro meio; a imprensa censurada, o Judiciário amordaçado, o Congresso ameaçado.
O gesto era um grito de urgência. Às vezes era pelo direito de sair do confinamento, ou uma forma de não enlouquecer.
Não faz muito tempo que o único canal que vinha em socorro dos dissidentes brasileiros era o externo.
Hoje os dissidentes daquele tempo espalharam-se e divergem entre si em vários partidos, grupos políticos, correntes de pensamento.
Mas certamente todos se lembram de como foi importante haver uma janela para o mar, para olhar o mundo à espera de algum reforço. Foram muitos os governantes estrangeiros que perguntaram pelos nossos dissidentes, quiseram saber das torturas e desaparecidos, defenderam princípios democráticos, constrangendo os generais. As notícias dessas pressões circulavam como uma válvula de escape, uma esperança.
Míriam Leitão
Trecho adaptado. Versão completa no Arquivo de Artigos Etc.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Nosso Guia

freud_loredano_ilus

Freud não achou lá muito espantosa a ascensão de Hitler, eleito na Alemanha e, para surpresa até do Führer, aclamado como libertador por seus compatriotas. Freud sabia que, psicanaliticamente, as pessoas anseiam por um substituto para a figura paterna. Alguém que saiba a Verdade e não tenha dúvidas, que as proteja e as desobrigue de pensar por conta própria. Um ‘homem forte’. Para ele, totalitarismo político e fundamentalismo religioso tinham a mesma raiz na psique humana. Era preciso curar isso. Pela análise.
Arthur Dapieve

Texto publicado em O Globo de 05.02.10. Charge de Loredano no Estadão.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Por uma segunda mais leve


"Afinal de contas o que nos absolve
não é o Juiz nem a sociedade.
É a nossa habilidade em não deixar vestígios"
Millôr


 Ou nem tanto...


Millôr encontra-se aqui, e Angeli .

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Tecnocracia brasileira

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Realizado basicamente a partir de pesquisas quando atuava no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas, no Rio, o trabalho [da cientista política Maria Celina D'Araujo] define as principais características da máquina pública federal: formada por pessoas altamente escolarizadas, com experiência profissional, na maioria proveniente do serviço público, com fortes vínculos com movimentos sociais, partidos políticos, especialmente o PT e sindicatos e centrais sindicais, principalmente a CUT.

Na análise de Maria Celina, os integrantes das carreiras públicas estão majoritariamente filiados a sindicatos e têm preferencialmente adotado o PT, "de forma que mesmo que o governo seja de outro partido, a máquina pública irá refletir essa tendência".

Esse "sindicalismo de classe média", onde predominam professores e bancários, tem sua base no funcionalismo público, fundamental para reativar o sindicalismo brasileiro a partir da redemocratização nos anos 1980, e está na origem do Partido dos Trabalhadores.
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Merval Pereira

O texto completo pode ser lido aqui e . A imagem é do filme Guia do Mochileiro da Galáxia.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Quando os esqueletos saem do armário

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O professor Francisco Carlos Teixeira, como historiador, considera que o fundamental para se expor a verdade é abrir os arquivos do regime militar, sem se importar com o fato de que esses arquivos, na maior parte das vezes, revelam-se "uma porcaria".

"São informações de segunda ou terceira pessoas, baseadas em fofocas, sem interesse histórico". Ele lembra o historiador Carlo Ginsburg, que escreveu o livro "O queijo e os vermes", sobre a Inquisição, que dizia que quem usar fontes da Inquisição vai acabar comprovando a existência de bruxas.
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Merval Pereira publicado em O Globo de 14.01.10 sobre a abertura de arquivos sigilosos de Estado. Para ler o texto completo, clique aqui.
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Se você quizer a comprovação do que diz o sr. professor, veja o testemunho abaixo.
Isso é o que acontece quando se mistura o celeste com o terreno...

Esqueletos secretos



Anistia não é esquecimento, mas perdão dos atos cometidos.


Volta e meia, surgem assombrações. Mas vale a pena assinalar que no Brasil elas voltam para pedir orações e cobrar dívidas, pois, entre nós, a morte mata mas os mortos não morrem.




Via Arquivo de Artigos Etc. Ilustração de Samuel Casal.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O símbolo de uma década


Começamos a década com jovens rapazes insistindo em exibi-las. Em pouco tempo, encontrávamos calças arriadas em vários lugares. Passamos a ser obrigados a ver pedacinhos expostos aqui, outro ali. Tomou conta da televisão, dos shoppings, das escolas. Como não sou frequentador de Igreja, não sei se a moda já chegou à missa. Tornara-se, rapidamente, a marca de uma geração. No transcorrer do período, descobrimos que era também instrumento de poder, chegando a ser destaque no noticiário sobre os acordos políticos desenvolvidos pela situação. Há pouco mais de um ano, descobrimos que fortalecia a imagem dos atletas-celebridades, alguns ganhando mais destaque pelo seu uso do que pelo que faziam como esportistas. Agora virou arma terrorista! Pelo visto, enquanto o mercado busca novos produtos para atender as novas demandas, algumas até bem nojentas, no campo da segurança gera artigos preocupados e, de minha parte, uma sugestão: em lugares como aeroportos e Congressos, detectores de cueca. Qualquer um que esteja portando uma, passa a ser suspeito de tentativa de crime.