Após o 11 de setembro, vivemos uma década de falso predomínio geek. O ano que termina nos deixou duas pequenas pérolas que representam bem isso. Entre o menino invisível e o menino tigre, o desejo de potência, de transformar todas as utopias em uma grande bomba de máximo impacto. A frágil aranha, que deixa de se atrapalhar nas suas pernas para vestir um colante e salvar o mundo. Tal poder nunca se concretiza, e o gosto da frustração segue presente. Soa como o pequeno silvo que, baixo, sibila de suas entranhas e que, raras vezes, acaba se tornando em estrondo ensurdecedor. Que as fantasias dominem o monstro, e o pequeno camundongo contenha o senhor das trevas que hoje habita dentro dele.
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
sábado, 27 de outubro de 2012
We're on a road to nowhere
There's a
city in my mind
So come on and take the ride,
and it's alright, baby it's alright
And it's
very far away,
But it's going day by day
And it's alright, baby its alright
Would you
like to come along?
You can help me sing this song
and it's alright, baby it's alright
They can
tell you what to do,
Oh god, they'll make a fool of you,
and it's alright, baby
it's alright.
...
Para a discografia do Talking Heads, Volta Ao Mundo Musical.
sábado, 15 de setembro de 2012
Sombras
"
Nossas cantoras não ateiam fogo às vestes quando são
abandonadas pelos amantes, não se descabelam, não sofrem ao microfone. Elas não
querem correr riscos, querem ser cool. Amy Winehouse sabia que onde não há dor
não há ganho. Com homens e bandas, aqui e alhures, não é diferente. A impressão
é a de que a sociedade ocidental hoje tem imensa dificuldade de se relacionar
com as sombras. Entrou numa viagem sem volta de Prozac. Claro, a morte está aí,
mas a turma olha pro outro lado e pede pra não beijar na boca.
"
Arthur Dapieve
...
Trecho adaptado de texto publicado em O Globo de 14.09.12, como pode ser lido aqui.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
The idler wheel is wiser than the driver of the screw and whipping cords will serve you more than ropes will ever do
A Playboy de julho já a apresentara como a mulher fruta da estação. A Rolling Stones elogiou seu clipe e suas esquisitices. Hoje, Dapieve já inicia seu texto com um 'Oh, Fiona!'. Para quem gosta de sons incomuns, uma boa pedida. Não à toa, tocou a semana inteira na minha vitrola.
domingo, 3 de junho de 2012
Pais e filhos
Para um homem que tem tudo, para que serve o futuro? Se tudo puder se resumir a mulheres, aí é que futuro cheira a encrenca. Para que tudo continue funcionando, nenhum laço pode ser atado, nenhuma âncora baixada. Nesse contexto, o que é um filho? Nada, se você simplesmente desprezá-lo. Afinal de contas, um filho é viver hoje de frente para o alvorecer. Para tê-lo, é preciso amá-lo como se houvesse um amanhã. É nesse dilema que se encontra Don Jhonston no filme Flores Partidas - como um arquétipo do conquistador que todos gostamos de ver: vazio, solitário, com um leve ar de frustração. O fracasso de Jhonston é reconfortante para todos nós, machos-ômega. Só isso pra mover a manivela de nossas vidas vazias, solitárias, frustradas... e cheia de filhos.
...
A música acima faz parte da trilha sonora que é ótima. Está comentada aqui.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
We're all goin' straight to hell
Se o ócio é a oficina do diabo, eu não sei. Só sei que com tanto tempo vazio, a filmografia do Woody Allen está sendo posta em dia. A Era do Rádio é um delicioso filme, contado com uma costura de crônicas da vida privada, recheada de bom humor nos diálogos afiados construídos por Allen. Dessa vez, um olhar juvenil observando a vida adulta em suas situações comezinhas. Só agora, revendo - ou vendo pela primeira vez, como esse -, percebo como Allen alterna a linha de suas histórias, flutua com diferentes focos e, as vezes, diferentes narradores. Sem dúvida, um belo contador de histórias.
A música escolhida está no filme, não na versão da Marisa. Era só um pretexto para ouvi-la novamente.
sábado, 26 de maio de 2012
Tango dos Deuses
Devo confessar, eu ouço os deuses. Desde criança, aprimoro meus ouvidos e percebo, em pequenos sussurros, seus manifestos. Os ritos, o templo, a epifania - suas formas pouco importam. Em algum momento, tudo se faz claro para mim. Bem, nos últimos dias, ouvia o chiado, mas não entendia o recado. A princípio, passei por um sutil espanto, e me indaguei se não havia sido abandonado. Ou se, por algum sentimento perdido, estivesse incapaz de ouvir. Mas, então, o tamborilar se fortaleceu, e a verdade se revelou, mais uma vez.
...
Já comentei sobre a sina de uma geração quando da morte de Glauco e da homenagem a Hughes. Os filhos dos 80 viram, como um replicante diante do criador aceitando a inevitabilidade da morte, estrelas brilharem e desaparecerem, deixando a sensação que nenhum rastro ficaria para trás. Quando o futuro chegou, percebemos que tantas coisas continuam vivas, apesar de combalidas - como a coluna de Hebert, que se curvou e quebrou, mas sobreviveu. As dores ficam, mas só dói enquanto nos levantamos, e continuamos caminhando. Como dizia o filósofo Balboa, a vida bate forte. Essa é uma geração que soube reconhecer a tirania do destino e, apesar disso, seguir em frente, não importando onde isso vai dar.
...
E os deuses com isso? Anote o recado: para todo Guerreiro, o que importa não é a vitória; a vida é feita nas batalhas. O troféu é um lustre, uma ilusão de que um momento pode ser congelado e guardar, dentro de sua redoma de vidro, uma felicidade eterna. A felicidade é para os fracos. Isso é algo que só os fortes - e Guerreiros - entenderão.
domingo, 6 de maio de 2012
"
Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.
Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.
Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento...
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.
"
Cecília Meireles
...
sexta-feira, 4 de maio de 2012
How's it going to end?
Entre a maestrina Márcia Guapyassú e os meus jovens Brigadeiros dos bancos escolares, uma questão que nos move - o conhecimento adquirido pela reflexão como motor de deslocamento. Perguntem ao Truman Burbank.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Nacionalistas Racionais
"
Nascido da importação de formas
musicais jamaicanas por músicos do Bronx, em Nova York - não sem a referência
da música eletrônica alemã do Kraftwerk, da disco music, da capoeira, dos
discípulos de Marcel Marceau e dos filmes de Bruce Lee -, o hip-hop, disparado
por Clive Campbell (Kool Herc) e Afrika Bambaataa, vem sendo, desde que se
tornou amplamente conhecido, a partir do início dos anos 1980, a expressão mais
acabada de uma mistura de nacionalismo negro com direito à visibilidade das
camadas desfavorecidas. Como tal, nenhuma outra forma de arte popular ou de
massas se lhe pode comparar em força internacional, superadora do modelo de
distribuição que tem os Estados Unidos como centro gerador.
A ênfase no nacionalismo negro
sobre o brasileiro - e a autodefinição de classe por sobre a de região ou
nacionalidade - se dá de forma mais legitimada do que nunca. O álbum
"Sobrevivendo no inferno", dos Racionais, é a obra-prima dessa
experiência entre nós.
"
Caetano Veloso
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
sexta-feira, 10 de junho de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
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