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sábado, 14 de julho de 2012

O fantasma do Sonny



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O que acontece quando se juntam 16 mil processadores, fazendo um bilhão de conexões, numa das maiores redes neurais já desenvolvidas, e se dá a esse “cérebro eletrônico” a possibilidade de fazer o que quiser? Ele sonha com a conquista do mundo? Com a idéia de Deus? Com Gisele Bundchen? Que nada: como eu, você e todo mundo, ele começa a procurar vídeos de gatos na internet.
 Essa curiosa experiência foi divulgada na semana passada pelo Google, que criou a rede no seu secretíssimo laboratório X. O “cérebro” foi alimentado por dez milhões de imagens randômicas, totalizando algo em torno de 20 mil objetos, sem qualquer espécie de instrução ou catalogação. O objetivo é que possa vir a identificar padrões que não tenham necessariamente tags, para agilizar sistemas de busca. Por exemplo, ele poderá identificar rostos sem que eles tenham sido rotulados.
 “Durante o treinamento, nós nunca dissemos: ‘isso é um gato’” — disse Jeff Dean, da equipe do Google, ao “New York Times” – “A rede inventou sozinha o conceito de gato”.
 Como seria de se imaginar, a notícia causou alvoroço na rede, onde a presença dos gatos é lendária. Seu efeito colateral foi aumentar ainda mais a presença dos bichanos online, já que a maioria dos blogueiros e jornalistas de tecnologia que repercutiu a notícia aproveitou para ilustra-la com fotos de seus próprios bichinhos de estimação.
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Cora Ronai
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Cada cérebro sonha com o gato que lhe convém. Se uns sonham com o Will Smith, outros sonham com a Julie Newmar. Obviamente, referências ao Eu, Robô e ao Batman. Trecho to texto da Cora publicado aqui.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Do androids dream of electric sheep?

Nas entranhas das engrenagens que dão vida à cidade, um garoto sonha com um mundo-máquina e seu grande relojoeiro, capaz de fixar todos os problemas. Desemperrar as catracas, liberar os fluxos, aparafusar o que estiver solto. Encaixar o que falta. Enquanto as artérias urbanas pulsam, crianças são arrastadas para longe de suas famílias, numa corrente contínua até que emperrem como tampões gordurosos as válvulas de escape. Enquanto as cadeias de abastecimento se retroalimentam, jovens são moídos pelos pontos de fissura onde membros são recompostos com metais e parafusos, até que enferrujem e imobilizem células de segurança e sobrevivência. Enquanto os gerenciadores operacionais resignificam os procedimentos para manter o estímulo mobilizador, cérebros são descartados por não mais atenderem às demandas até que não haja mais qualquer possibilidade de negação às falhas do sistema.
Enquanto isso, Hugo Cabret, aprendiz de relojoeiro, lubrifica os encaixes, fixando sonhos capazes de nos distanciar de tudo que é problema, para que continuemos a empurrar a grande roda da vida do mundo-máquina, onde a caixa preta projeta uma verdade sempre de cabeça pra baixo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Retromania

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Cada vez mais os produtos culturais se tornarão obras em progresso, sempre em modo 'beta', sem edição definitiva, ou com versão final logo transformada em matéria prima para remixagens eternas - vivemos um tempo em que o novo é resultado de um 'revival' ininterrupto de modas passadas.
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Hermano Vianna, adaptado de O Globo de 23.12.11.



Texto, via Hermano Vianna.
Imagem, Capricho.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

quinta-feira, 31 de março de 2011

A obra aberta

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O comentário mais inspirador sobre a transformação que a internet provocou na vida cultural foi publicado por José Miguel Wisnik em sua coluna de 5/3/2011. Na era pré-digital, “as coisas eram decantadas pelo tempo. Porque o seu valor e seu preço simbólico eram ditados pela capacidade de sobreviver à morte. A cultura era em grande parte um culto aos mortos”. Hoje, aumentou “assustadoramente o número dos vivos”. Wisnik se pergunta: “Quem dá conta da cascata infinita de autores de tudo? Quem decanta essa massa informe e simultânea, epidérmica, cheia de potencialidades e de engano?” Indagações que contêm os principais desafios da cultura contemporânea. O que fazer com tanta vida, transbordante e caótica, que não cabe mais nos modelos de negócio e nas instituições artísticas que até outro dia tentavam organizar nossa relação com a cultura? Sintetizando: a cultura dos mortos se fundamentava na escassez; a cultura dos vivos produz cada vez mais abundância — para o mal e para o bem. Como dizia um velho ditado: não devemos ter medo dos mortos e sim dos vivos. Estamos aprendendo a brincar com o fogo do novo poder coletivo. Vamos ainda errar muito. E descobrir aos poucos como usar as vantagens. Pense nos exemplos de uma gravadora, de uma produtora de filmes, de uma empresa de rádio e TV, de uma galeria de arte. Eram poucos os artistas contratados, eram limitados os recursos que faziam com que as obras fossem produzidas, ganhassem visibilidade e fossem distribuídas no restrito circuito de comércio. E mesmo assim nem tudo o que era lançado fazia sucesso: um raro hit pagavao prejuízo de muitos fracassos — mas a conta tinha que fechar. Portanto sempre foi reduzido o número lançamentos e c o n t r a t a ç õ e s , mesmo em épocas de grandes lucros. As restrições orçamentárias e mesmo físicas (o espectro por ond e p o d e m s e r transmitidas ondas radiofônicas tem limites precisos) se combinavam com a crença, provavelmente “verdadeira”, de que o talento é igualmente um bem escasso. Estou relendo “O mal-estar na civilização”, na nova tradução (a primeira diretamente do alemão) de Paulo César de Sousa. Ali Freud também denuncia a “fraqueza” do método da sublimação dos instintos através da arte, pois não é de “aplicação geral” e “pressupões talentos e disposições especiais”, aos quais poucos têm “acesso”. Então tudo conspirava para que a produção de arte fosse vista necessariamente como uma atividade de poucos para muitos. E os poucos eram filtrados por uma série de intermediários para chegar aos muitos. A internet bagunçou com esse coretinho. Hoje qualquer menino com uma webcam pode transmitir sua nova dança diretamente da laje da favela para o mundo inteiro (e alguma dessas danças viram logo “a melhor dança de todos os tempos” — já viu a moda planetária do “choque” c o l o m b i a n o e m bit.ly/9EVGQe?), através de novos tipos de intermediários bilionários (e não menos “pervertidos”) — por exemplo, o YouTube e o Twitter — que não mais selecionam o que vão lançar, e sim aceitam tudo e mais alguma coisa. É Arte com A maiúsculo? Talvez não seja, talvez seja algo diferente, um jogo de diversão coletiva, sem pretensão à eternidade. Um novo mundo pior ou melhor? Quem pode saber com certeza? Se como diz Freud, em seu “Mal-estar”, a finalidade da vida é “a busca da felicidade”, penso que hoje há mais gente feliz, “brincando” de ser artista, como faziam seus antepassados em outras brincadeiras que ficaram conhecidas como folclore e onde, geralmente, não havia diferença entre quem estava no palco e na plateia. Essa mudança radical e rapidíssima, da escassez para a abundância, exige outras posturas diante da criação, sua distribuição e seu consumo. Muita gente já apontou, mas isso fica cada vez mais claro, que estamos deixando de lado o império da propriedade para entrarmos na era do serviço. Eu não quero ser o feliz proprietário de todos os vídeos de gente dançando choque colombiano, até porque isso seria impossí v e l — ag o r a mesmo dezenas de vídeos com novos movimentos de choque estão sendo publicados. Quero poder ver esses vídeos na hora que quiser, e melhor, quero poder fazer meus remixes desses vídeos e publicá-los na rede, retroalimentando a brincadeira. Então quem quiser que copie meu vídeo à vontade, e espalhe por aí. Provavelmente não vou nem guardar cópia desse vídeo, que se transformará apenas num item perdido no meu mar de bookmarks . Claro que seria bom ganhar dinheiro com o meu remix, pagando também para os produtores de todas as imagens que remixei. Isso será cada vez mais fácil, pois saberemos exatamente quantas pessoas assistiram ao vídeo completo, ou quantas outras fizeram remixes do meu remix. Outra consequência então: o melhor é deixar a obra aberta, facilitando sua circulação de diversas maneiras. Quanto mais gente republicála ou remixá-la, melhor. A abertura está se tornando a norma, mesmo para o bom senso comercial. O segredo e a proteção atrapalham. Vide o caso do Kinect, aparelho para games da Microsoft. Logo após seu lançamento, hackers abriram o aparelho e inventaram para ele novos usos. A Microsoft desistiu de proibir e começa timidamente a facilitar a vida dos hackers lançando um kit de desenvolvimento. Os hackers agora podem ganhar dinheiro ajudando a Microsoft a lucrar mais com o Kinect. O que deve ser bom para todo mundo. Os vivos agradecem. A cultura dos mortos se fundamentava na escassez; a cultura dos vivos produz cada vez mais abundância.
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 Hermano Vianna

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Educação cibernética

"Ensino: internet como aliada", uma reflexão da Cora Rónai sobre o ensino na rede e seus pequenos dilemas. Diria que, além das questões pedagógicas, existem as resistências de quem está apenas acostumado a orkut & msn ou como repassador de emeios. A ilustração é de autoria do jovem João Montanaro, de 14 anos, encontrada no Gibizada.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Portal para o futuro

Quando o Robocop te parar, não se espante: a Ilha te espera como um Grande Irmão. Pelo menos é o que nos promete o sr. Paes, as vésperas das eleições. Via Blog do Rafael Oliveira.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Dê os classificados para seu mestre

Coréia do Sul planeja colocar robôs nas salas de aula do país inteiro. Há um planejamento de investimentos na implementação até 2013. O robô pode servir de assistente do professor, recitar histórias para a criançada e receber e transmitir mensagens dos pais para seus filhos. Queridos colegas professores, é uma questão de tempo... Via Galileu.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Do baby replicants dream of silicone milk?

Lembrei-me de Do Androids Dream of Electric Sheep talvez por ver este tipo de opções estéticas como uma forma de esta mulher se tornar uma replicant, um mero modelo para diversão sexual dos colonos, como a modelo Pris do filme; mais humana do que os próprios humanos, ou seja, mais sexual do que as próprias mulheres, mais fértil do que a Vénus de Willendorf.
Todas estas ideias se desvanecem quando a imagino alimentando dúzias de bebés replicants sedentos de silicone.

Marco Santos, do Bitaites

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Carmen Miranda X Robocop

Gostei de algumas fantasias e alegorias da Portela, mas tenho que condordar que os robozinhos de Madureira estavam com a cintura um pouco dura. Mais gingado teve a pequena notável escola campeã, e, mesmo que digam que a lusitana Unidos da Tijuca voltou para 2010 americanizada, o título foi merecido. Apesar disso, Vargas, que viu o primeiro e único título da Escola até 2009, deve estar se revirando no túmulo.
Quanto à Portela, percebe-se quem nem todos estão preparados para um mundo ciborg. Da próxima vez que quiserem fazer um carnaval cibernético, consultem o engenheiro aeroespacial com vários títulos Renato Lage, que faz autômato até com pano. Quanto ao uso de tecnologia em outros carnavais, com destaque para a Unidos da Tijuca e o Salgueiro, veja aqui.

Imagens via Extra e O Globo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A era do ciborg


Aiden Kenny recebeu dois implantes cocleares quando tinha 10 meses de vida. Ela é uma das "pessoas do futuro", um grupo de gente cujas partes lesionadas do corpo estão sendo substituídas por dispositivos conectados ao sistema nervoso que reagem aos comandos emitidos pelo cérebro. Imagem e texto da National Geographic Brasil.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Por uma ética ciborg

O colunista do jornal O Globo Arnaldo Bloch entendeu que o filme Avatar, mais que uma pipoca épica, é um tratado sobre uma nova ética. Publicado na página móvel Logo.

Para mim, o buraco é mais embaixo.