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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Jogar de cabeça em pé

Deivid ganhou minha simpatia. Ter que aturar a imprensa que não fala de outra coisa, apesar da magnífica vitória vascaína, da brilhante atuação de Dedé e das vésperas da decisão do turno; apresentar-se para dar entrevistas a frente dos patrocínios mesmo sem ganhar corretamente seus direitos de imagem; assumir a postura de homem que tem responsabilidades como profissional e pai de família no meio do circo que é o ambiente que vive, tudo isso não é para qualquer um. O futebol é do tamanho da vida. Carrega também suas distorções, encenações e vilanias.

domingo, 20 de março de 2011

Libertadores 4


Em 2008, a classificação heróica sobre um time admirável. E esse ano? Superaremos a ameaças?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Libertadores 2


Na primeira fase de 2008, essa foi a grande exibição, com direito a show de Dodô. Um belo chocolate de 6x0. E esse ano, pelo menos uma bala juquinha?

domingo, 30 de janeiro de 2011

Cirque du soleil


Não tenho me animado muito em assistir o Barcelona jogando, apesar de admirar o clube e achar esse time excepcional. Vendo o segundo gol no jogo contra o Hércules, lembrei-me do meu desinteresse por acrobatas de circo. Apesar da imensa dificuldade de execução, do risco da atividade e da plasticidade, nunca me emocionei com essas apresentações. Os movimentos são perfeitos, a apresentação não tem falhas, e a distância não permite ver um suor escorrendo, uma testa crispando, um tique nervoso. Fica difícil pressentir um desastre eminente, ou mesmo um mico desaprovador.
Assim me parece o Barcelona. A bola vai pra lá e pra cá, em toques simples, sem floreios. Os dribles são curtos, objetivos. E sai o gol. Os adversários parecem sparrings dos Globetrotters, com todo o cuidado para não machucarem as estrelas do espetáculo. Aliás, talvez a única graça da final da Copa do Mundo vencida pelo Barcelona desfalcado de Messi e Dani tenha sido a tentativa desesperada dos holandeses de, através de rasteiras, agarrões e golpes de caratê, segurarem o excrete espanhol. Sangue, suor e lágrimas, é o que falta ao show catalão.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

por uma segunda mais leve

Que venham os bugres! Via Juca.
Os mosqueteiros debocharam do fracasso suíno na quarta-feira, mas assistiram amargurados a porcaria de domingo. Bom, eles sabem do que estão falando, como se vê na charge de novembro de 2009.
Já que não se fala em outra coisa, fica a pergunta: quem rirá por último?

domingo, 21 de novembro de 2010

Vocação para tragédia

Por causa da presença de Fernanda Montenegro, iluminada pela sombra de Nelson Rodrigues, no desastroso espetáculo do empate do Fluminense com o Goiás, o jornal O Globo estampou a manchete acima para reafirmar a sina de um time que sossobra na hora fatídica. Mas a tragédia tem ingredientes próprios, e somente em São Paulo o quadro se completou. O profeta do futuro passado vaticinara: "enquanto o homem de corpo fechado estiver em campo, a vitória não virá." Washington, Coração Valente robótico, estava lá, pronto para cumprir o roteiro do drama que se avistava. O homem que sobreviveu a todas as previsões, entra em campo por um preço - o título não será seu. Nem os previsíveis. Na pretensão de ser senhor do seu destino, Muricy resolve, ao contrário dos teatrais gregos antigos, ouvir o oráculo.
Mas sobre quem o vidente vaticinara? O destino é caprichoso, não se deixa possuir tão facilmente. O comandante tricolor não depende apenas de suas forças. Seu arqui-inimigo continua à frente - o Mosqueteiro luta, e parece imbatível. Um fenômeno de oito embates invicto, três vitórias seguidas. Até que o espectro de seu patrono deixa o campo, contundido. O Mosqueteiro curva, sua vitória se distancia, e a derrota só não chega pela proteção das forças ocultas. Depois de tudo isso, para o tricolor ainda falta o toque de mágica, o tento da vitória.
De quem é o corpo fechado? A vitória chega, nos pés de Conca, o Bruxo Imortal, o homem de todos os embates. Onde todos caem, é lá que ele estará. Mas, estará o profeta correto? De quem será o Cálice final?

domingo, 14 de novembro de 2010

Ave, Conca!

O começo foi exuberante. Até o jogo contra o Vasco, no primeiro turno, fomos avassaladores. Recorde de pontos, ampla vantagem sobre os adversários, artilheiro do campeonato, maior público do campeonato, reforços a vista. E, então, o ponderável e o imponderável aparecem. Sem casa, com metade do time reserva, goleiro inseguro, o rendimento cai, e parece que tudo virá abaixo. Mas ainda somos o time de guerreiros. E temos o Conca. Não há como negar que foi o principal maestro da primeira etapa, e é o maior lutador deste campeonato. Presente em todas as partidas, contém as dores e enfrenta as marcações implacáveis, sempre até os últimos minutos dos embates. Cansado mas não abatido, comanda um time que, apesar de todas as adversidades, resiste às investidas de seus maiores adversários e ainda sobrevive no topo. Domingo, o time estava desfalcado de seis titulares. E vencemos. Se a taça virá, não sei. Mas o guerreiro não tombará.

domingo, 22 de agosto de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Brancos, negros e laranjas

(...)
A última final de Copa do Mundo com tantos jogadores brancos ocorreu quando Nelson Mandela ainda estava preso na Ilha Robben. Só o vestiário de um campo de críquete, nos tempos do regime racista, poderia igualar-se ao vestiário do estádio de Johannesburgo, na final desta Copa do Mundo.
Além de ser branco e de ter o nome de uma temida cadeia do regime do apartheid, Robben jogou com aquele seu uniforme laranja. O laranja, da casa real holandesa, era a cor dos colonos bôeres. Trata-se de mais um símbolo do passado segregacionista encarnado por Robben. A arquibancada do estádio de Johannesburgo, com todos os torcedores vestidos de laranja, evocava o Estado Livre de Orange.
(...)
Se, depois de sair da Ilha Robben, Nelson Mandela derrotou o fanatismo racista, Robben, com seus dribles, deu um passo adiante, ridicularizando o fanatismo politicamente correto e a propaganda multirracial. O temido protagonista do time da Holanda fundou, com sua canhotinha, o Estado Livre de Robben.
Diogo Mainardi

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O texto de Mainardi, na íntegra, encontra-se aqui. Sobre a relação entre a ilha e o futebol, veja como presídio ou como museu. A imagem acima refere-se a um filme promocional.