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domingo, 18 de novembro de 2012

1984-2012


Em 1984 estávamos em três no Maracanã para assistirmos ao título brasileiro. Meu pai, naquela época, era mais novo do que sou hoje. É a última lembrança que tenho de estarmos todos juntos. O Natal daquele ano foi o mais triste que já tive. 
Passados 28 anos, vejo os corredores de um shopping suburbano colorido como em festa natalina. Localizado a poucos quilômetros do Engenho de Dentro, os espaços são tomados de verde, branco e grená. Gente de tudo que é idade, nas mais diversas formações - sozinhos, grupos de mesmo sexo, famílias - embelezam o domingo como poucas vezes se viu. A poucos metros dali, minha filha brinca e me aguarda. Não faço parte desse desfile elegante, não levarei minha pequena ao estádio, não ando mais na formação de três. Em breve, me despedirei dela e estarei a mais de 40 quilômetros de distância, de novo junto ao velho, onde celebraremos, sem corridas pelo corredor ou gritos intermináveis, o esperado tetracampeonato.
O Natal desse ano promete.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Apagar das luzes

Não há palavra que dure, não há vaidade que baste. Entre o compromisso e o currículo, que venha o último. Glória ao homem que busca glórias, e que os ratos suncumbam em seu calvário. No dia que nos despedimos, o homem acena, ao chegar ao seu novo lar. A mudança está pronta, os móveis no lugar; é só seguir com sua vida. Quem ficou pra trás que recomece, como sempre acontece. A nossa conquista é de estarmos vivos, e ainda lutando. Glória não é vitória. Que venha o último.

domingo, 20 de março de 2011

Libertadores 4


Em 2008, a classificação heróica sobre um time admirável. E esse ano? Superaremos a ameaças?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Libertadores 2


Na primeira fase de 2008, essa foi a grande exibição, com direito a show de Dodô. Um belo chocolate de 6x0. E esse ano, pelo menos uma bala juquinha?

domingo, 5 de dezembro de 2010

Recordações

Há 26 anos estávamos no Maracanã, eu, então com 15 anos, meu irmão, 14, e meu pai, na época mais novo do que sou agora. Naquele tempo, o futuro parecia promissor. Passado o tempo, tudo mudou. O velho estádio não existe mais. Um novo local, inóspito, não me quer lá. Meu irmão se foi naquele mesmo ano. Meu pai está há quilômetros de distância. Minha esposa e minha filha de 2 anos aqui não estão, pois comemoram o encerramento do ano escolar da pequena. Sozinho estou, diante da televisão e do futuro que não cumpriu boa parte das promessas. Um novo futuro chegou e, do garoto de 26 anos atrás, só sobrou o coração tricolor.
...

Bom, no 2o. tempo tudo foi diferente. Fui para a festa, e lá vi minha filha se apresentar, e vi o gol de Emerson, que comemorei com um beijo no cocuruto de meu cunhado. Depois que veio o título, ganhei um abraço de felicidades da mais nova torcedora da família, acompanhado de um doce beijo de minha esposa. Somos campeões. O futuro promete.
 Imagem via Pinfotos.

domingo, 21 de novembro de 2010

Vocação para tragédia

Por causa da presença de Fernanda Montenegro, iluminada pela sombra de Nelson Rodrigues, no desastroso espetáculo do empate do Fluminense com o Goiás, o jornal O Globo estampou a manchete acima para reafirmar a sina de um time que sossobra na hora fatídica. Mas a tragédia tem ingredientes próprios, e somente em São Paulo o quadro se completou. O profeta do futuro passado vaticinara: "enquanto o homem de corpo fechado estiver em campo, a vitória não virá." Washington, Coração Valente robótico, estava lá, pronto para cumprir o roteiro do drama que se avistava. O homem que sobreviveu a todas as previsões, entra em campo por um preço - o título não será seu. Nem os previsíveis. Na pretensão de ser senhor do seu destino, Muricy resolve, ao contrário dos teatrais gregos antigos, ouvir o oráculo.
Mas sobre quem o vidente vaticinara? O destino é caprichoso, não se deixa possuir tão facilmente. O comandante tricolor não depende apenas de suas forças. Seu arqui-inimigo continua à frente - o Mosqueteiro luta, e parece imbatível. Um fenômeno de oito embates invicto, três vitórias seguidas. Até que o espectro de seu patrono deixa o campo, contundido. O Mosqueteiro curva, sua vitória se distancia, e a derrota só não chega pela proteção das forças ocultas. Depois de tudo isso, para o tricolor ainda falta o toque de mágica, o tento da vitória.
De quem é o corpo fechado? A vitória chega, nos pés de Conca, o Bruxo Imortal, o homem de todos os embates. Onde todos caem, é lá que ele estará. Mas, estará o profeta correto? De quem será o Cálice final?

domingo, 14 de novembro de 2010

Ave, Conca!

O começo foi exuberante. Até o jogo contra o Vasco, no primeiro turno, fomos avassaladores. Recorde de pontos, ampla vantagem sobre os adversários, artilheiro do campeonato, maior público do campeonato, reforços a vista. E, então, o ponderável e o imponderável aparecem. Sem casa, com metade do time reserva, goleiro inseguro, o rendimento cai, e parece que tudo virá abaixo. Mas ainda somos o time de guerreiros. E temos o Conca. Não há como negar que foi o principal maestro da primeira etapa, e é o maior lutador deste campeonato. Presente em todas as partidas, contém as dores e enfrenta as marcações implacáveis, sempre até os últimos minutos dos embates. Cansado mas não abatido, comanda um time que, apesar de todas as adversidades, resiste às investidas de seus maiores adversários e ainda sobrevive no topo. Domingo, o time estava desfalcado de seis titulares. E vencemos. Se a taça virá, não sei. Mas o guerreiro não tombará.

domingo, 22 de agosto de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Quase histórias

Cresci ouvindo as histórias de meu pai sobre futebol. Seu grande ídolo, quando jovem, era Castilho. O grande goleiro do Fluminense, tido por alguns como o melhor de todos os tempos, jogou a Copa de 54. A fracassada Copa de 54. Depois disso, continuou na Seleção Brasileira, como reserva. Viu o grande bicampeonato do banco. Em 58, a Seleção era liderada por Didi, de quem meu pai falava encantado. Ele também estava em 54, e retornou para as Laranjeiras com Castilho. Saiu de lá em 57, e seus anos de glória pela Seleção já não seriam mais vestindo as três cores.
Anos depois, quando eu ainda era garoto, estava em casa quando meu pai voltou de um dia chuvoso no Maracanã, contando como mal tinha conseguido ver alguma coisa no estádio abarrotado de gente. Não falou nada sobre a frustração de ver a Máquina emperrar, inundada. Não queria me avisar da sina que nos segue. Mas só mais tarde fui percebê-la.
Meu primeiro ídolo no futebol foi um zagueiro chamado Edinho. Era tão bom que Coutinho, o técnico da Seleção em 78, acreditava que poderia jogar de lateral-esquerdo. Foi barrado durante a Copa e, do banco, viu a seleção não chegar à final. Em 82, já não vestia mais nossa jaqueta. Mas, ainda assim, ansiava vê-lo titular na Seleção. Mais uma vez, do banco, viu a Seleção ser eliminada em Sarriá. Em 86 seria sua vez. Capitão da Seleção, entraria para a História erguendo a taça de campeão. Como todos sabem, não o fez. E eu desci minha rua timidamente chorando mais uma desilusão. Seu sucessor no Fluminense foi Ricardo, tricampeão Carioca e campeão brasileiro. Só foi convocado, assim como Branco, depois que saiu do Tricolor. Capitão da Seleção, foi eliminado em 90 e cortado às vésperas da Copa de 94. Não avisaram a ele a sina dos tricolores.
De lá pra cá, vivemos anos de crise. Que se intensificaram após a impressionante eliminação na semifinal do Brasileiro de 95, quando perdemos uma grande vantagem ao tomarmos uma goleada em Santos. Fomos rebaixados três vezes seguidas. Só resurgimos com a virada do milênio. Nos últimos anos, foram muitas emoções. No centenário, acreditei que faríamos a Tríplice Coroa. Depois da conquista do Carioca em 2005, perdemos a final da Copa do Brasil para o Paulista e, na reta final do Brasileiro, perdemos 5 seguidas e ficamos fora até da Libertadores. Depois, perdemos a Libertadores mais incrível dos últimos tempos nos pênaltis. No ano seguinte, perdemos a Sulamericana mais incrível dos últimos tempos, e para o mesmo algoz.
Contei tudo isso para justificar meu luto. Já deveria estar acostumado. Quando Muricy Ramalho chegou ao Flu, parecia inacreditável. No ano anterior, já tínhamos feito a contratação mais impressionante de nossa história recente com a chegada do Fred. Contratar o melhor técnico do Brasil era assumir o risco de ser campeão brasileiro. Enquanto aguardávamos a chegada de vários reforços já confirmados, chegamos a liderança do campeonato. Rumo ao título! Bom... essa história não terminará. Para você, que acabou de chegar, obrigado, Muricy. E adeus. Siga sua sina vitoriosa, que nós seguiremos a nossa. O pouco tempo que viveu nas Laranjeiras, com certeza, não foi suficiente para deixar em você a marca da quase história. Então, boa sorte canarinha.

...

Bom,... com o passar do turbilhão do fim-de-semana, podemos dizer que, daqui há alguns anos, alguém lembrará que quase houve uma história entre Muricy e a Seleção. Desculpe, irmão, mas já foste marcado.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Ninguém gosta de ficar de fora

esoccerTricolores, não adianta fazer bico. Hoje não vale nada, mas as semifinais estão a caminho. Depois da surpresa do 5x3 e a preguiça do 3x0, resta guardar energias, poupar pendurados e esperar pelo Vasco.
Imagem via Ads of the World.