Quanto você pagaria por mais seis meses de vida? Quanto pagaria para ter mais um pouco da atenção daqueles que não mais estão? O tempo, aquilo que nos é mais caro, escorre, incontrolável. Se ampliá-lo é impossível, negociá-lo é tudo que temos. Dedicamos horas, vendemos horas, desperdiçamos horas. Tão presente em nossas vidas, que poderia se tornar moeda de troca. Quantos minutos de sua vida você pagaria por um prato de comida melhor? E por uma viagem? Bem, nesses casos, parece que não existe barganha - o tempo está sendo usado para viver melhor. Mas e de onde saíram os recursos? Quanto tempo foi necessário para gerar uma hora de bom restaurante? Uma semana de bom hotel? Na ânsia de vivermos uma vida de sonhos, vendemos o que temos de mais caro para comprarmos os desejos que nos são empurrados, e nem nos damos conta disso. Quantos minutos da atenção da pessoa amada você quer negociar? Quantas fases do crescimento do seu filho você quer vender? Carregue o cartão, pois, no shopping mais próximo de sua casa, nós podemos encontrar aquele eletrodoméstico de última geração.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Perdido
A busca do pai no útero do mundo é mistério que só homem entende, ou passa tentando entender. Entre o piscar dos olhos corre uma vida, e o sentido dela se vai, quando menos se espera. Eu achei o meu, e ele escorre entre os dedos, parecendo brinquedo dos deuses, mas que não é não, pois o acaso, com seus gostos e desgostos da vida, é mais poderoso que tudo isso.
terça-feira, 13 de março de 2012
A cegueira de Deus
Neste domingo, lendo o artigo do João Ubaldo Ribeiro sobre o Estatuto da Palavra, pensei o quanto do politicamente correto é retrocesso, e o quanto continuamos os mesmos, apenas com novas ferramentas. Apesar de toda revolução tecnológica, capaz de nos levar a um novo paradigma de conhecimento, as fogueiras continuam ardendo, e os inquisidores estão ansiosos para encontrar pecadores. Uma nova moral se constrói, e os olhares vigilantes, agora, estão com os circuitos integrados. O Estado, que tudo vê, penetra cada vez mais seu olhar para dentro de nossas casas, invadindo nossos corpos, remexendo nossos lixos.
Em algum momento, chegou a parecer que não seria assim, e que os pecados nos abandonariam, mas não os pecadores. Achava-se que os imorais viveriam em um campo de sonhos. Woody Allen, com seu 'Crimes e Pecados', enxergou o início do abandono do bastão, mas ainda era muito cedo para perceber que alguém não iria deixá-lo cair. Quando Deus começa a abandonar nossos juízos, em 1989 parecia que nada ficaria no lugar, e que caminharíamos para um mundo amoral. E, de uma certa maneira, muitos de nós dizem que vivemos o fim dos tempos, que tudo está fora do lugar e que hoje tudo vale. Curiosamente, nesse mesmo fim de semana assisti, em sessão dupla, ao filme 'Vicky Cristina Barcelona' e Woody é mais um a apresentar o lesbianismo labial que virou regra, mas que em 1990 o 'Justify my Love' da Madonna ainda escandalizava. Então, estamos realmente vivendo tempos amorais?
É disso que João Ubaldo trata. Há um deslocamento de eixo, e o novo responsável pela fogueira tem status de servidor público. O Grande Irmão está de olho, e a sede de limar livros, reescrever textos, controlar corpos - não mais o erotizado, mas o somatizado - anda enorme, e não para de crescer. Se Deus nos abandonou, o Estado jamais nos permitirá caminharmos sozinhos.
sábado, 10 de março de 2012
Que fazemos? Aproveitamos!
Entre o passado que nada fica, pois que tudo se recria - como sonho ou como farsa-, e o futuro que promete algo que jamais cumprirá, existe o momento que precisa ser vivido, como sina dos vencidos, pois o jogo foi jogado, e o resultado todos sabem onde vai dar.
quinta-feira, 8 de março de 2012
Bela arte
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A genialidade é uma reinvenção, por parte de alguém, das suas condições
objetivas e subjetivas. Pessoas que sempre tiveram essas condições muito
confortáveis (e a beleza é um dos elementos decisivos na determinação dessas
condições) não têm razão para inventar outras. Tenho convicção de que isso é
uma verdade, mas reconheço também que é uma verdade limitada. Penso em alguns artistas grandes — Dorival Caymmi, por exemplo
— e me parece que essa grandeza não nasceu do antagonismo do mundo, mas da
alegria espantada de estar nele.
"
Francisco Bosco
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quarta-feira, 7 de março de 2012
Reiventaram o conhecimento
"
Os fatos não são mais os fatos, há especialistas por toda
parte e a pessoa mais inteligente na sala é a própria sala.
"
David Weinberger
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Citação de Pedro Doria em texto publicado em O Globo de 28.02.12 que pode ser lido aqui.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Mais uma dose
"
Ali pelo oitavo chope chegamos à conclusão de que todos os
problemas eram insolúveis. Florêncio propôs, então, um nono, argumentando que
outro copo talvez trouxesse uma solução geral.
"
Cyro dos Anjos
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Trecho citado por Francisco Bosco em O Globo de 29.02.12 pode ser lido aqui.
Foto, Filipe Oliveira, com Creative Commons.
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