domingo, 16 de setembro de 2012

Babel tales


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História seria algo maravilhoso - tão somente fosse verdadeira
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Leon Tostoi
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Tradução de O Globo para epígrafe de Peter Funch encontrável em seu sítio para "The Great Depression and Other Stories". A imagem acima faz parte do trabalho Babel Tales.

Espelhos


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Temos muitas opiniões sensatas, repetimos muitas palavras de ordem, mas saber quem somos realmente é do departamento das coisas vividas. A maioria de nós optou pela boa conduta, e divulga isso em conversas, discursos, blogs e demais recursos de autopromoção, mas o que somos, de fato, revela-se nas atitudes, principalmente nas inesperadas.
É você. É sempre 100% você. Um você que não constava da cartilha que você decorou. Um você que não estava previsto no seu manual de boas maneiras. Um você que não havia se dado as caras antes. Um você que talvez lhe assombre por ser você mesmo pela primeira vez.
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Martha Medeiros
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Trecho adaptado de texto publicado em O Globo de 16.09.12.
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Ouço tantos que apresentam, e gostam de apresentar, uma outra face que, mesmo que aparentemente não tão digna, é sempre charmosa, vencedora, justificável. Ter um Shrek dentro de si e levá-lo pra passear é relativamente fácil. Eu queria ver alguém exibir pra vizinhança o monstro disforme, o verme desprezível que habita as entranhas, e que vez ou outra precisamos alimentar.

sábado, 15 de setembro de 2012

Sombras



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Nossas cantoras não ateiam fogo às vestes quando são abandonadas pelos amantes, não se descabelam, não sofrem ao microfone. Elas não querem correr riscos, querem ser cool. Amy Winehouse sabia que onde não há dor não há ganho. Com homens e bandas, aqui e alhures, não é diferente. A impressão é a de que a sociedade ocidental hoje tem imensa dificuldade de se relacionar com as sombras. Entrou numa viagem sem volta de Prozac. Claro, a morte está aí, mas a turma olha pro outro lado e pede pra não beijar na boca.
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Arthur Dapieve
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Trecho adaptado de texto publicado em O Globo de 14.09.12, como pode ser lido aqui.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Cosmópolis



Cosmópolis, de David Cronenberg. Ao entrar no cinema, sala mais cheia que esperava. Ao lado do assento que selecionei quando a sala ainda estava limpa no mapa, um jovem acompanhado da família. Havia outras famílias. Sento. Levanto. Vou para o corredor. Passam por mim um bando de meninas em busca de um vampiro. Espero a hora de começar o filme e procuro um lugar sozinho, longe. As meninas riem, nervosas. Atrás de mim alguém devora um saco barulhento de alguma coisa. Enquanto reflexões sobre o capitalismo dialogam na tela, bocejos sussurram na sala escura. Um levanta, depois outro. Enquanto as vísceras do mundo contemporâneo são expostas,  pessoas desanimam. Menos as meninas, que continuam suspirando a cada pedaço de carne esbranquiçada do protagonista. Ao final, um homem bate palmas de forma intensa, e lamenta - Mas que merda! As famílias que vieram atrás do galãzinho hollywoodiano saem decepcionadas. Não era esse o espetáculo que esperavam. Eu, deslocado da poltrona que me cabia, assisto a tudo, sozinho.

domingo, 2 de setembro de 2012

Laura em um instante


Há uma sabedoria popular que diz que a diferença entre o remédio e o veneno é a quantidade. Comigo não foi bem assim. As pequenas doses diárias de Laura quase me mataram de saudade. Mas foram elas que mantiveram minha sanidade. Dia 6 completam 6 meses que comecei a consumir as Pílulas de Laura. Nesse período, aprendemos a dialogar, dividimos prazeres e rotinas, rimos juntos. A partir de agora, não precisarei mais de um monte de fotos pra preencher qualquer espaço. Aprendi com minha pequena que a alma é feita de câmaras, algumas de vazios perpétuos - ou nunca foram ocupadas ou, quando abandonadas, nunca mais serão. Outras, são como uma Sala Precisa, que se amplia e se mobilia de acordo com a necessidade do coração.
O amor de Laura é preciso. Já viver...

Balão


Foi no fim do verão, quando o céu ficou cinza, queu perdi meu balão. Desde então, como um anjo ou maldição, sua sombra paira sobre minha cabeça.
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Imagem de Laurent Chehere. Tanto Laurent quanto a Pixar inspiraram-se no filme Balão Vermelho.